Nos degraus da cidade...




Nos degraus da cidade...
Suor, gemidos, o sol no começo da manhã, queimando nossa pele, meus cabelos, sua barba.
Ah, a sua barba roçando no meu rosto, pescoço, nuca, seios...
Um corpo frágil, um abraço com vontade, beijos doces, delicados, leves, quentes com “A” barba roçando no meu rosto. Essa barba que foi o motivo de eu ter te olhado.
Os degraus estavam frios, mas o que isso importa, se por dentro estávamos quentes, como o sol de meio-dia.
E o medo de sermos pegos por algum estranho, e a sensação de alguém nos olhando e ficou ali, também se satisfazendo com o nosso prazer.
A delícia do inesperado e da entrega.
Azulejos azuis, amarelos e brancos foram o cenário perfeito pra que eu chegasse a um dos meus gozos mais intensos e completos.
Mais um beijo, mais sol e a sua barba que continuou roçando no meu pescoço...

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O amor acaba


Não é algo que me tenha levado a alegria de viver, eu tenho muita. Mas meu coração partido, às vezes, me leva pra um lugar sombrio.
E aí, machucado que está, por vezes, sangra e dói e faz com que a minha cabeça tenha pensamentos clichê, letras de músicas que eu acho ruim.
Músicas que falam de nunca mais... Muitas falam de uma situação onde não tinha amor, ou o amor “virou ilusão”.
E embora eu não saiba de muita coisa, eu sei que ele me ama, eu sinto. Isso dificulta muito as coisas pra mim ao mesmo tempo em que imaginar o dia em que ele vai deixar de me amar me aterroriza ainda mais, apesar de saber que sim, o amor acaba.

uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”

Texto extraído do livro "O amor acaba", Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1999, pág. 21, organização e apresentação de Flávio Pinheiro.


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