Suor


O suor dele escorrendo pelo meu corpo...

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Boas e novas

Sabe aquelas histórias que tem que ser contadas? lá vai mais uma.

Outro dia entrei numa discussão porque gozo fácil. Eu nem imaginei que algum dia poderia estar numa situação como essa. Estavamos num motel sem graça, no fim do dia. Depois do cara me comer de todo jeito tivemos uma pausa, eu tava sem fôlego, e ele me salta:
- pôxa vc nem gozou.
- como não? eu perdi as contas.
- ah, então vc é muito discreta.
- ... eu gozo só de vc piscar pra mim amor.
- ah tá.
- ah tá?? não tá acreditando? tá bom, dá próxima eu faço um escândalo.
Tudo bem, a pausa acabou e voltamos aos trabalhos. Frango assado, folhinha verde, canguru perneta... Tudo ótimo! E em todos os gozos eu fazia questão de gemer alto, falar coisas do tipo: "Ahhh, vem com tudo!" que eu acho podre. A cada grito, ele mudava a posição. E lá se ia o kamasutra todo. Depois de uma hora, ele goza. Estamos muito bem, exaustos, lavados de suor, recostados um no outro sem dizer nada. Mas, a paz tinha que ser quebrada por mais uma frase inesperada.
- Realmente, você goza muito fácil. Pela sua idade eu achei que ia demorar mais.
- Ôxe, o que tem a minha idade a ver com isso?
- Mulheres mais jovens gozam mais rápido, tem menos experiência. Na sua idade já sabem bem o que querem, não se contentam com tudo.
- Eu espero que você esteja feliz com isso. Pelo menos eu tô considerando que cê tá me chamando de ninfeta.
- Não exatamente. Eu achei que você fosse mais experiente.
- Pois fique sabendo meu amor que só meus ouvidos são virgens.
- Que bom, até porque eu não tenho tara por ouvidos maculados.
- Mas, a transa não foi boa pra você?
- Foi, foi uma delícia. Mas da próxima eu me preocupo menos em fazer você gozar.
- Ah tá.
- Não tô dizendo que não é importante, mas você mesma disse que goza com só uma piscadela.
- Não, tudo bem.
- Tá com cara de brava.
- Só estava pensando uma coisa. Eu passo a semana inteira guardando o meu tesão pra você, agora ouço reclamação porque eu não tenho problemas em gozar?
- Não foi isso.
- Tudo bem. Da próxima eu dou pro meu vizinho de escrivaninha antes de dar pra você. Gasto meus hormônios só pra demorar mais a gozar. Já que você gosta de ter tanto trabalho. Pensando bem, vai ter que ser varias vezes na semana, com aquela cara de lutador de jiu jitsu... Ai ai, tomara que ele seja bom de cama. Cê sabe, eu vivo pra te fazer feliz!

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Química


Tinha hora, local... Ele já estava lá... De cabelo molhado, tomou um banho enquanto esperava...

Ela vinha caminhando, atravessou a ponte... O coração já disparado... Subiu as escadas (toc Toc) bateu na porta...


Abriu a porta um ser em brasas, que não disse nada.
O calor que saia dele a incendiou instantaneamente...

A língua dele percorria seu pescoço, orelha e boca enquanto as mãos tiravam sua roupa toda...

Tudo revirado, a bolsa no chão, sapatos perdidos...

Já completamente nua ele a jogou na cama e a deixou de bruços...


Ele pára um momento, a visão daquela mulher de bruços é algo pra ser contemplado... Então beija aquela bunda, morde e morde o corpo todo...

Até que ele a penetra forte, com os dentes cravados no pescoço da mulher que geme sem saber sequer onde está...


Mas ele segura mais forte, e chama o nome dela... E ela está ali... Ele está dentro dela... E ele desaba quase inconsciente de prazer...

Agora ele parece não saber mais onde está...

E tateia o ar e a encontra...


Escorrendo pelo seu corpo ele chega com sua língua quente e faminta, mas ainda assim, lentamente, lambe, lambe, lambe e segura as pernas dela que estão tremendo e lambe e acaricia o corpo dela e beija as coxas e morde e lambe lambe...


Ela explode em gozo e uma luta se inicia...

Porque ele não quer parar e ela está à beira da morte... Com seus últimos resquícios de força ela o empurra, chuta, grita pra ele parar...

Seu corpo pulsa... Lateja... Ela é todo espasmo...

Ela tem um sorriso nos lábios...
Um homem enroscado em seu corpo...

O que aconteceu?

Eles riem...

Por vezes gargalham...

Como pode?

Não pode...

Claro que pode!

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Diariamente





Pra Outubro Entrar Sorrindo


para a cabeça: nuvens
para os ouvidos: sussurros
para o nariz: fábrica de biscoitos
para os olhos: horizonte
para a boca: desejo
para os cabelos: trança
para o pescoço: beijos
para o peito: suspiros
para as mãos: mãos
para a barriga: carinho
para o quadril: Shakira
para as pernas: estrada
para os pés: massagem

Baseado na Poetriz

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LÁBIOS DE MEL OU LÁBIOS SELADOS?

Gisele Centenaro


– Trambique, vem cá, tô precisando ter um lero contigo.
– Migo, again?! Trambique não, please.
– Amo a solidão, tu sabes. Vem dela toda minha independência. Sem ela, a morte.
– Sem a solidão?
– Sem a independência. A solidão é um problema conjuntural em razão da vizinhança que me impus neste planetinha.
– Baby, quer o ticket entregue à domicílio?
– Pra quê?
– Pra flutuarmos na nossa dimensão primordial, enfim.
– Quem aqui tá procurando companhia, Trambique?
– Mas mudar de vizinhança, em certas circunstância, clareia até as nuvens do céu.
– Na hora certa. E ela está chegando. Neste minutinho, porém, preciso de uma resposta…
– Se a esperas de mim, preciso de uma pergunta…
– Of course. Que gosto tem beijo quando os lábios estão selados?
– Hahahahahahaha…
– Cara, contei uma piada, por acaso, pra provocar essa gargalhada inesperada?
– Tu tens noção do que me perguntastes?
– Tu tens noção do que me ensinas, gota a gota, nos sonhos que sonho imaginar ao pensar em ti?
– O que te ensinei eu sobre lábios selados?
– Well, contou-me segredos estelares sem empregar todas as letras do alfabeto terráqueo, somou e subtraiu na tabuada que me destes sem que as contas tivessem qualquer finalidade, mostraste-me seiva escorrendo pelos teus dedos para fazer desabrochar flores muito antes de chegar a primavera, transformastes a maça que lhe dei num big coração que transcende a plantação dos amores…
– E teus lábios permaneceram selados sobre tudo que te dei?
– Até aqui…
– Queres, primeiro, rever os dados sobre os lábios ou os detalhes dos selos consumados?
– Se a capa cair…
– Lábios de mel ou lábios selados?
– Sinceridade…
– Sempre…
– Hoje estou tão melzinho…
– Mel desperdiçado se a única a tirar proveito da tua doçura é a solidão.
– Pois então. Mas sou livre…
– Vem pra mim, vem.
– Pra tu me amarrares com as cordas da tua voz, pra atares minhas mãos com os laços que nos unirá em eterno sussurrar desta galáxia, pra impedires meus passos ao entrelaçar tuas pernas nas minhas sem compaixão, ainda que eu caia de joelhos?
– Pois serás assim absolutamente minha. E eu serei universalmente teu. Que mais desejas de belo e aconchegante na construção deste nosso mundinho encantado, na qual tenho empregado sofreguidão em doses descomunais?
– A liberdade. Sem ela serei destituída talvez até dos lábios…
– Ah! Eis o Segredo Maior. Jamais os perderá desde que continues escutando minha voz. Unida a ela estarão teus lábios, para sempre, enquanto o desejares, selados, ainda que vertam mel…
– Sobre o beijo…
– Tens de beijar.
– Pois, Mané, se meus lábios estão selados, faço como?
– Hahahahahahaha… Receba as flores que lhe dou…
– Estás mudando o rumo da conversa…
– E em cada flor um beijo meu…
– Mané, custa caro pra caramba esta ligação entre a Terra e o Não-Ser, percebe? Daqui a pouco, a linha cai sem que tu tenhas me respondido o que perguntei…
– São flores lindas que lhe dou. Rosas vermelhas com amor. Amor que por você nasceu. E seja assim por toda a Vida.
– Bolou o cérebro again, Cavaleiro do Apocalipse?
– Injusto. Pois justamente tenho feito de tudo para ver sorrisos em teus lábios. E a Deus mais nada pedirei, querida, mil vezes querida, Deus, já na terra nascida, sabes que tu és, e sempre foi, a namorada que sonhei…
– Vou te dedar pro Conselho… Na Terra chamam teu comportamento de assédio…
– Hahahahahahaha… Não me digas que tu me julgas sexual, ainda, em alguma coisa, mesmo que seja por sensações de assediamento! Ora, no dia consagrado aos namorados, sairemos abraçados por aí, quem sabe a passear, um dia no futuro então casados, mas eternos namorados…
– Já te disse que não me vejo sem a minha liberdade, imposição, nesta dimensão da fatalidade, da minha venerável solidão…
– Ah! Flores lindas, eu ainda vou lhe dar. Que seja assim por toda Vida, querida, e a Deus mais nada pedirei.
– Disso tenha certeza, pois é fato que tem pai que é cego, mas o teu…
– Hahahahahahaha… Querida, mil vezes querida, por teres teus lábios selados, os únicos que podes beijar são os meus…
– E se tu és uma impossibilidade, me diga, Ser Supremo, se meu destino, portanto, é nunca saber que gosto um beijo tem.
– Receba as flores que lhe dou… E em cada flor um beijo meu…
– Primeiro as vermelhas ou as brancas?
– Well, creio que no jardim que te cultivei encontrarás, se procurares bem, uma maça transformada num big coração que transcende as plantações dos amores dos homens comuns, tendo raízes na mais bela constelação que poderás alcançar ao tocar, com teus lábios, as pétalas das rosas…
– Se tenho teus beijos ao tocares meus lábios selados, a Deus mais nada pedirei.

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Motivos para não acreditar nas pessoas.

Acordei indisposta. Baita dor de cabeça. Fiz as coisas de costume e fui ao trabalho. Adiantei tudo que tinha pro dia, pensando que a dor podia piorar. E piorou, graças a algo que não preciso detalhar aqui. Segui para a enfermaria. Diagnóstico: pico de hipertensão. Remédio: descanso. Fui pra casa.
No caminho, lembrei que precisava passar num laboratório fotográfico. Morrendo ou não. Ninguém faria isso por mim.
A contragosto, com a cabeça explodindo, caminhei pela rua lotada, debaixo de um sol filho da puta. É quando vejo uma senhora deitada no chão, respirando com dificuldade. As pessoas a rodeavam, mas não tomavam quaisquer atitudes. Me aproximei, ajoelhei junto a ela, armei uma sombrinha pra proteger seu rosto do sol e perguntei se ela tava me ouvindo. Disse que sim, que só estava tonta, mas a sombrinha já tava ajudando. Perguntei se conseguia levantar e caminhar até o banco (ela esperava na fila). Disse que sim. Um policial nos ajudou até lá. Deixei algum dinheiro pra que ela pudesse lanchar e minha sombrinha, pra que não tomasse sol na volta pra casa.
Saí dali e só então lembrei que eu tava doente. Comecei a ficar tonta. Mas precisava ir ao laboratório. Cumpri com minha obrigação e tentei voltar pra casa. Tava difícil. Sentei num banco e esperei que passasse um táxi. Não dava pra caminhar até o ponto de táxi mais próximo.

Ninguém perguntou por que eu chorava. Ninguém me ofereceu ajuda. Nem os mais próximos. Meu celular tava no bolso, impassível. Nem um toque. Nem uma mensagem pra saber se era eu quem estava estirada no chão esperando uma ajuda que quase não vinha.

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Uma moça e vários flertes

Não procurei.

Mal encostei naquele lugar, olhei em volta e lá estava. Juro, não fazia meu tipo!
Em momentos normais eu nem olharia.. mas aquele era um momento normal, porra! Que aconteceu comigo?

Pouco importa agora...

A verdade é que sequer nos falamos, não sei onde mora, o que faz, que autores lê.
Não sei se acha cinema uma bosta e fotografia uma perda de tempo.
Não sei se estuda medicina ou passa os fins de semana na praia de Boa viagem.
Não sei nem se tem o temível piercing no umbigo.
Dela, só lembro da correntinha dourada com seu nome: Manuella.

O mundo dos flertes é mesmo estranho... basta um tempinho mais, um lugar diferente, uma pessoa interessante e lá estamos nós, flertando.

É uma mexida no cabelo, uma ajeitada na roupa, uma olhada discreta, um sorrisinho de canto.
Engraçado que, nessas horas, nem pensamos que o outro pode ter dente torto, usar touca a noite, cheirar a perfume barato e usar cinta.

Quem pensa, logo de primeira, que aquele belo par de peitos é fruto de um superup? Ou que aquelas pernas grossas são um acúmulo de tecidos ( aqueles fulanos que usam cueca samba-canção mais short mais calça, saca? Querem que eu dê nomes aos bois? haha)

A verdade é que o flerte faz parte da nossa natureza... nossos avós faziam, nosssos pais também e nós vamos perpetuando o costume.

Eu, por exemplo, costumo flertar por esporte. É divertido até...

Mas com a Manuella não.. com ela é diferente, é coisa séria. Tu pode até ser crente,Manu... eu ligo não,tá certo?

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