All of our bridges burnt down...





Não ficou nada combinado... Não combinamos absolutamente nada. Não tínhamos ideia da treta... Não adivinhamos que seria amor. Que seria esse amor, que seria enorme, intenso, grave... Não previmos a dor... 
Agora o mundo mudou.
Você fora de mim, é nada. Lendo Caio F. Abreu (nada recomendável, mas inevitável) vi a seguinte citação:

“Eu queria você aqui, mas você está aí. E o aí não tem idéia da sorte que ele tem.”

E a única coisa com a que eu concordo é sobre querer você aqui. Porque lá, aí... onde diabos vocês esteja, não importa. E esse lugar onde você está tem um azar enorme de te ter sem mim.

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um raro balé que o amor inventou



Mais de seis meses atrás eu li essa frase: “Ainda há tempo de mudar o caminho em que você está.”

Eu fechei os olhos e acreditei, acreditei que você ia mudar a sua estrada e vir pra minha vigem, comigo. Eis meu grande erro (um dos)... Eu sonhei com a mudança do seu caminho. Quando a gente só pode mudar mesmo o nosso, próprio e intransferível jeito de viver e ver as coisas.
Para mim tava tudo muito claro.

“A gente se ama, nosso encontro não é um encontro qualquer. Sentimentos assim não acontecem todo dia e a força disso tudo vai resolver os impasses”

Eu daria risada, se não estivesse chorando ainda minhas perdas.

Entendo que a maioria das minhas perdas foi de coisas criadas por mim, mas não, não é tudo culpa minha. Você não teve forças, você não quis. Você olhou pra mim e pra nossa história e entendeu que não valeria a pena.

Ainda demora pra fazer algum sentido pra mim. Encontro-me inconformada ainda, apesar de tudo que eu sei, senti e vi... Sem falar das que imaginei.

o tempo não apaga essa chama
por mais que eu conheça outras camas
por mais que eu queira ser feliz, mesmo assim
me lembro da gente no espelho
num raro balé que o amor inventou
pra nós dois
os dois amar
um poder esquisito
que nos faz mais bonitos
e que agora insiste em não me abandonar
viver sem você é o vício
de só representar…

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A carta que eles NUNCA escreverão

 
Palavras que poderiam ser ditas, mas ficam guardadas, entaladas ou escondidas atrás do caso com uma mina qualquer

    Bom dia, Dadica,

    Minha alma está doendo por começar esta carta, mas vamos lá. Eu deveria ter te dito tudo ontem, mas as palavras não saíram. Quando olho pra você minha garganta fecha. De alguma forma acho que isso é amor... Talvez um pouco de medo também. Mas a verdade é que não dá mais pra mim. Essa casa... sua cara de quem está precisando muito mais do que posso dar... nosso sexo que só sai depois de nos destruirmos com palavras e agressões cada vez mais profundas... Não estamos indo pra lugar nenhum e sonhamos com lugares muito diferentes. Você quer um filho. Eu quero uma garrafa de Jack Daniel´s. Você quer Índia. Eu quero Berlim. Já não caminhamos mais lado a lado e tenho cada vez mais certeza de que o que nos mantém juntos é o medo de estarmos separados e não mais a real vontade de estar junto. Há amor (sei que há), mas não é ele que me comove. Olho nossas fotos e morro de saudade do que fomos. Morro também de tristeza por perceber que não somos mais.
    Eu sei que você vai chorar e que esta carta vai te devastar. A mim também, tenha certeza. Sei que você vai me achar covarde por não conseguir falar... Mas este sou eu. O mesmo cara que não conseguiu dizer que te queria há seis anos. Por algum motivo quando olho pra você minhas palavras somem. Sua beleza segura, o ar levemente triste que te acompanha, teu sorriso revelador... tudo isso me cala. Me calou lá atrás quando todo meu corpo te queria e me cala agora quando este mesmo corpo deseja partir. Sei que você está tentando não ver o quanto somos uma fruta passada que por algum fenômeno da natureza não caiu do pé. Mas estamos podres, Amanda. Estamos tristes. E não é um filho que vai mudar isso, nem a ioga na Índia, nem a tal terapia de casal... Estamos esperando que um milagre aconteça, mas não atentamos para o fato de que não acreditamos em milagres.
    Não vou ao futebol. Nos vemos aqui à noite pra conversar.
    Estou tomando coragem.
    Cortei mamão. Tá na geladeira.
 
Twitter: @euliatulias
 
 
 

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Tá errado não poder te abraçar.
Tá errado não sentir a sua barba arranhando minha bochecha.
Tá errado não sentir os seus cabelos entre os meus dedos.
Tá errado não te ver.
Tá errado não te encontrar.
Tá errado não ouvir o seu coração batendo.
Tá errado não ouvir que bate assim por mim.
Onde estão as suas mãos? Seus lábios, onde estão?

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Talvez, quem sabe, um dia...

Acho que posso dizer que é amor, sim. Mesmo que a gente tenha se perdido para que eu pudesse encontrar a mim mesma. Mesmo que a gente tenha se perdido para que você pudesse buscar a si mesmo. É amor porque eu te guardo na lembrança bonita do meu crescimento, da descoberta do que era a co-dependência ou da fusão que subtrai. É amor, porque cantamos juntos, dançamos juntos, choramos juntos, fizemos amor intensamente, trocamos profundamente as angústias da alma, torcemos um pelo outro, nos ajudamos, viajamos juntos, gargalhamos desarvoradamente, dormimos juntos no melhor abraço um do outro, descobrimos novas músicas, sinônimos, livros, enlouquecemos lindamente, brigamos muito, fizemos as pazes várias vezes e fomos embora um do outro quando nada mais era poesia. Não foi triste, mas doeu profundamente. Uma dor resignada porque eu podia ver com clareza que já não nos acrescentávamos nada. E aprendi a trabalhar o desapego e o perdão. E hoje, quando vejo você sorrir, eu sinto que estamos bem e que fizemos a coisa certa. E o amor só pode ser isto: querer que o Outro encontre a felicidade a qualquer custo, mesmo que isso exclua você da plenitude dele. Mesmo que isto exclua o Outro da sua plenitude.
Marla de Queiroz

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Eu já me esqueci de cór ♫♪



Eu me sinto machucada... Eu rondo a cidade a procurar sem encontrar... Eu falo demais, bebo demais e saio por aí, bar em bar, bar em bar e toda vez que eu saio eu me preparo pra talvez o ver.
Estou sempre acompanhada... Evito estar só. Eu sinto falta dele como se um nutriente estivesse faltando no meu organismo, eu passo mal.

Os lugares, as músicas, os sabores... A pele que era minha pele, que atingia o meu calor.

E nem loucuras eu posso cometer, não sobrou espaço. Não há nenhuma realidade onde possamos estar perto... Perdemos totalmente o equilíbrio e ainda assim é como se a energia dele me acompanhasse.

Porque era como se a gente não pudesse estar errados juntos, e hoje o seu amor é como uma sombra sobre mim, o tempo todo. E eu não sei o que fazer, estou sempre na escuridão. Antes eu estava apaixonada e agora estou aos pedaços.

Eu já não me recordo mais seu nome, quais os outros nomes que lhe dei. Só o cheiro do seu cheiro não consegue ser tão fugaz... Nas pessoas, peles, colos, sexo, bocas, onde nunca está.


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