Tá errado não poder te abraçar.
Tá errado não sentir a sua barba arranhando minha bochecha.
Tá errado não sentir os seus cabelos entre os meus dedos.
Tá errado não te ver.
Tá errado não te encontrar.
Tá errado não ouvir o seu coração batendo.
Tá errado não ouvir que bate assim por mim.
Onde estão as suas mãos? Seus lábios, onde estão?

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Talvez, quem sabe, um dia...

Acho que posso dizer que é amor, sim. Mesmo que a gente tenha se perdido para que eu pudesse encontrar a mim mesma. Mesmo que a gente tenha se perdido para que você pudesse buscar a si mesmo. É amor porque eu te guardo na lembrança bonita do meu crescimento, da descoberta do que era a co-dependência ou da fusão que subtrai. É amor, porque cantamos juntos, dançamos juntos, choramos juntos, fizemos amor intensamente, trocamos profundamente as angústias da alma, torcemos um pelo outro, nos ajudamos, viajamos juntos, gargalhamos desarvoradamente, dormimos juntos no melhor abraço um do outro, descobrimos novas músicas, sinônimos, livros, enlouquecemos lindamente, brigamos muito, fizemos as pazes várias vezes e fomos embora um do outro quando nada mais era poesia. Não foi triste, mas doeu profundamente. Uma dor resignada porque eu podia ver com clareza que já não nos acrescentávamos nada. E aprendi a trabalhar o desapego e o perdão. E hoje, quando vejo você sorrir, eu sinto que estamos bem e que fizemos a coisa certa. E o amor só pode ser isto: querer que o Outro encontre a felicidade a qualquer custo, mesmo que isso exclua você da plenitude dele. Mesmo que isto exclua o Outro da sua plenitude.
Marla de Queiroz

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Eu já me esqueci de cór ♫♪



Eu me sinto machucada... Eu rondo a cidade a procurar sem encontrar... Eu falo demais, bebo demais e saio por aí, bar em bar, bar em bar e toda vez que eu saio eu me preparo pra talvez o ver.
Estou sempre acompanhada... Evito estar só. Eu sinto falta dele como se um nutriente estivesse faltando no meu organismo, eu passo mal.

Os lugares, as músicas, os sabores... A pele que era minha pele, que atingia o meu calor.

E nem loucuras eu posso cometer, não sobrou espaço. Não há nenhuma realidade onde possamos estar perto... Perdemos totalmente o equilíbrio e ainda assim é como se a energia dele me acompanhasse.

Porque era como se a gente não pudesse estar errados juntos, e hoje o seu amor é como uma sombra sobre mim, o tempo todo. E eu não sei o que fazer, estou sempre na escuridão. Antes eu estava apaixonada e agora estou aos pedaços.

Eu já não me recordo mais seu nome, quais os outros nomes que lhe dei. Só o cheiro do seu cheiro não consegue ser tão fugaz... Nas pessoas, peles, colos, sexo, bocas, onde nunca está.


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Nos degraus da cidade...




Nos degraus da cidade...
Suor, gemidos, o sol no começo da manhã, queimando nossa pele, meus cabelos, sua barba.
Ah, a sua barba roçando no meu rosto, pescoço, nuca, seios...
Um corpo frágil, um abraço com vontade, beijos doces, delicados, leves, quentes com “A” barba roçando no meu rosto. Essa barba que foi o motivo de eu ter te olhado.
Os degraus estavam frios, mas o que isso importa, se por dentro estávamos quentes, como o sol de meio-dia.
E o medo de sermos pegos por algum estranho, e a sensação de alguém nos olhando e ficou ali, também se satisfazendo com o nosso prazer.
A delícia do inesperado e da entrega.
Azulejos azuis, amarelos e brancos foram o cenário perfeito pra que eu chegasse a um dos meus gozos mais intensos e completos.
Mais um beijo, mais sol e a sua barba que continuou roçando no meu pescoço...

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O amor acaba


Não é algo que me tenha levado a alegria de viver, eu tenho muita. Mas meu coração partido, às vezes, me leva pra um lugar sombrio.
E aí, machucado que está, por vezes, sangra e dói e faz com que a minha cabeça tenha pensamentos clichê, letras de músicas que eu acho ruim.
Músicas que falam de nunca mais... Muitas falam de uma situação onde não tinha amor, ou o amor “virou ilusão”.
E embora eu não saiba de muita coisa, eu sei que ele me ama, eu sinto. Isso dificulta muito as coisas pra mim ao mesmo tempo em que imaginar o dia em que ele vai deixar de me amar me aterroriza ainda mais, apesar de saber que sim, o amor acaba.

“ uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.”

Texto extraído do livro "O amor acaba", Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1999, pág. 21, organização e apresentação de Flávio Pinheiro.


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Testamento de uma Lua


Deixo de legado, meu amargurado coração aos cuidados daquele que não soube amá-lo.
Meu bem mais precioso deixo como se deixa uma esmola ou uma maldição. Para que ele se desespere ao não mais escutar o pulsar sangrento, e lembre-se que jamais terá com quem discutir outra vez ou mesmo quem rejeitar durante o dia e desejar durante a noite. Não haverá mais voz. Deixo enfim, o silêncio.

Minha luz deixo, apenas, para os que podem ver, para os conviva das noites escuras, paras as sombras e para os cegos.

Minhas noites de Lua deixo para os insones que ao verem-me nascente se matam, em minha incessante busca, como se pudessem penetrar em minha alma. Nessas noites que batizo o suicídio dos sofredores, deixo o fim.

Deixo aos poetas o sofrimento da perda da musa inspiradora das musas.

Para o resto, deixo o resto... Os restos mortais de um dia o que se pode ser.

Deixo um céu vazio.


Dona Lua

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Escrito em 01.09.2008



Ser adulto é isso mesmo?

Falem-me vocês que já o são há mais tempo que eu...

Eu tenho que deixar de fazer certas coisas porque já não tenho idade pra isso e ao mesmo tempo não deixar a criança interior morrer?

Eu tenho que ser responsável com meus compromissos, horários, imagem, família...E ainda assim tenho que viver livremente e cuidar da minha felicidade custem o que custar?

Sei não... Parece-me bem mais difícil do que eu imaginava...Quer dizer...Eu não imaginava nada disso...Não pensava em ser adulta, assim como não pensei em ser adolescente e muito menos em ser criança...

Eu só queria continuar a rir alto... Sair com meus amigos... Ficar bêbada de vez em quando... Jogar RPG... Comer doce e beber refrigerante... Beijar na boca sem ter que me preocupar tanto com corações partidos... Confiar nas pessoas como sempre fiz, mas agora não posso, não devo...

Tenho que olhar pros lados, medir a s palavras, gerenciar impressões...


PUTA MERDA!!!!

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